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A trajetória de um Mestre Cervejeiro

A trajetória de um Mestre Cervejeiro

Como é ser um mestre cervejeiro? Muitos fãs da bebida mais popular do mundo têm essa curiosidade. E talvez até um pouco de inveja quando descobrem que uma das principais atribuições da função é provar cerveja com frequência. No entanto, como vocês puderam ler sobre essa profissão na nossa série sobre profissões cervejeiras, não é bem assim. Não é só isso. Trata-se da função de maior responsabilidade dentro de uma cervejaria. Uma espécie de engenharia. Mas que, claro, vem com esse bônus.

E você já conversou com um mestre cervejeiro? Nós sim. E contamos tudo aqui para vocês. Há mais de 20 anos trabalhando com a HEINEKEN, o Global Master Brewer da Cervejaria, Willem van Waesberghe, esteve no Brasil e tivemos a oportunidade de falar com ele sobre sua trajetória pessoal, qualidade, inspirações e dicas para quem gostaria de até seguir uma carreira semelhante.

Como foi a sua carreira profissional? Como começou a se interessar por cerveja?

Eu sou um geólogo e sempre quis ser um, desde os meus cinco anos de idade, pois alguém me deu um dinossauro, então eu queria fazer pesquisas de ossos de dinossauros. Mas no final eu estudei geologia com base nas partes químicas em busca de ouro e água. Eu trabalhei na área na França, mas o mercado não era tão bom. Então pedi ao meu pai se ele poderia me ensinar a ser um cervejeiro, pois ele também era um cervejeiro. Fiz treinamentos na fabricação de vinho e cerveja, e também para montagem de cervejaria. Trabalhei para o meu pai por cerca de quatro anos, e ao mesmo tempo, assumi o trabalho dele como professor de tecnologia de bebida no Instituto de Agricultura.

Mas como chegou até à HEINEKEN?

Mais ou menos nessa época eu realizei um projeto com a HEINEKEN. E eles me pediram para eu escrever uma carta para tentar um emprego lá. E foi assim que consegui. Isso foi em janeiro de 1995, coisa de mais de 20 anos atrás. Comecei como mestre cervejeiro consultor no departamento de assistência e suporte técnico e atendia diferentes cervejeiros ao redor do mundo: em Marrocos, Camarões e Indonésia, por exemplo. Depois, em 2000, fiz um projeto de implementação de um sistema de gestão de conhecimento. Colocamos em operação um sistema de computador que captava o conhecimento dos cervejeiros da HEINEKEN, no qual se podiam compartilhar suas experiências e tudo mais. Fiz isso por três anos e hoje o projeto se chama ONE2share. Por 12 anos eu estive à frente do departamento de pesquisa e durante esse tempo fiquei convencido que devemos proteger e apoiar o cervejeiro profissional da HEINEKEN. Então eu criei uma academia que se chama HEINEKEN Brewing Guild. Através dela, treinamos mestres cervejeiros para serem capazes de treinarem vendedores e também aprenderem a linguagem comercial. Assim teremos menos barreiras na comunicação entre o marketing e a produção e podemos desenvolver novas cervejas e novas marcas juntos.

Qual você acha que é o maior desafio para um mestre cervejeiro?

Nesse momento é conseguir desenvolver uma cerveja com 0,0% de álcool. O maior desafio é chegar em um sabor que todo mundo aceite como uma cerveja.

E tem algum mestre cervejeiro que te inspira?

Ah, tem muita gente que me inspira, não sempre cervejeiros. Nós temos no mundo das cervejas artesanais pessoas que conseguem fazer coisas diferentes que são muito interessantes. Homens como Sam Caglioni, dono da cervejaria Dogfish Head, que faz cervejas muito diferentes, baseadas em cervejas históricas, muito interessantes, mas sempre com combinações estranhas. Também gosto do que a cervejaria dinamarquesa Mikkeller faz. Ele (Mikkel Borg, cervejeiro e proprietário) produz mais de 250 cervejas diferentes ao ano em um volume total de somente 26 mil hectolitros e cobra entre US$5 e US$8 por garrafa. É algo bem legal e pequeno. Mas por outro lado, o que estamos fazendo com todos os mestres cervejeiros na Heineken (com o Brewing Guild), e o fato de estarmos crescendo juntos, de podermos falar de cerveja de novo, é uma grande inspiração para mim.

Você tem algum conselho para um estudante que quer se tornar um mestre cervejeiro em uma grande cervejaria como a HEINEKEN?

Um lema que temos na HEINEKEN é: se quer se tornar um bom cervejeiro, você precisa colocar as mãos na massa, especialmente para aprender a relação entre insumos, os equipamentos e o sabor. Não se aprende apenas nos livros. É preciso aprender na pratica.

Falando mais sobre a cerveja Heineken®, ela é puro malte e só tem ingredientes naturais. Pode explicar por que isso é tão importante?

Bom, acredito que os consumidores que bebem cerveja querem saber o que estão bebendo. Eu acho que a pequena quantidade de ingredientes significa simplicidade e pureza. Devo dizer que têm cervejas com mais ingredientes e que têm um sabor semelhante e balanceado. Mas é incrível que com apenas três ingredientes podemos fazer uma cerveja com um sabor muito bom.

Quais são os diferenciais da cerveja Heineken®?

Heineken é sinônimo de paixão pela qualidade. Ela é diferente das outras cervejas porque leva apenas três ingredientes, todos 100% naturais, e passa por um processo bastante específico de produção. A fabricação de Heineken leva 28 dias e é feita em tanques horizontais, o que torna a pressão ideal para a nossa exclusiva levedura A, descoberta no século IX e usada até hoje para garantir uma cerveja balanceada e refrescante.

Willem respondeu também a outras perguntas ao vivo via Facebook. Você pode conferir a conversa aqui.

Ah, e além de Mestre Cervejeiro, Willem também fez uma pontinha como ator na última campanha global de Heineken, interpretando ninguém menos do que: ele mesmo! Em um dos vídeos, ele garante ao astro Benício Del Toro que todos os 192 países nos quais Heineken está presente enviam suas amostras para a Holanda.

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