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André Rabanea: o criativo que balançou a Europa e estimulou os inquietos inovadores brasileiros no Festival Path

André Rabanea: o criativo que balançou a Europa e estimulou os inquietos inovadores brasileiros no Festival Path

No texto anterior sobre o Festival Path [hiperlink], trouxemos os relatos do Curador do evento, Fabio Seixas, Diretor da O Panda Criativo, que contou sobre os preparativos para este mega evento. Evento que é formado por personagens como André Rabaena, publicitário, 33 anos, quando estava com 21 viajou para Lisboa para passar só três meses e acabou ficando 10 anos. Durante esse período ele acumulou experiência em agências de marketing e se tornou um profissional na área da criatividade com seu trabalho reconhecido. Isso o levou a grandes experiências, como ser membro do júri de festivais de Cannes, D&AD e EL OJO. Além de ter empreendido em mais de 10 empresas de inovação no Brasil, Portugal, Turquia, Bélgica e no Qatar.

O criador da metodologia IDEATORS, validada pela Harvard University em 2015, levou para o Festival Path a palestra “Putsss, eu já tive esta ideia!” em que pretende ajudar o público a ser mais criativo e a acreditar que os projetos que estão na gaveta têm tudo para dar certo.

Tivemos a oportunidade de conversar com André e falar sobre as expectativas do Festival Path e suas vivências profissionais.

HEINEKEN - O que a sua experiência no exterior o estimulou para torná-lo um agente mundial da criatividade e inovação? Quais foram as experiências mais marcantes?

ANDRÉ RABANEA - Eu acho que experiência você consegue ter em qualquer lugar independente se for no exterior ou não. Mas o diferente pra mim no exterior é poder estar mais à vontade. Como eu não era de Portugal e sempre pensava que ia voltar rápido, fazia tudo sem pensar na consequência. Eu arriscava muito mais. E isso fez com que eu desse o salto mais rápido. Então descobri que arriscar quase nunca dava errado! E se desse eu arriscava outra coisa. Com isso, lembro-me de uma ação das mais legais que já fiz. Portugal por muitos anos fez ações de marketing com o conceito de bater os recordes do Guinness Book. Então tudo tinha que ser gigante: maior ovo de páscoa do mundo, maior abraço humano, maior encontro de carros do mundo… E durante três anos Lisboa comunicava no Natal a maior árvore da Europa - era uma atração gigantesca e aparecia em todos os telejornais. Num dos anos esta arvore foi cancelada porque a Câmara de Lisboa não tinha verba… Então eu criei a menor árvore da Europa e fiz o lançamento no mesmo dia e chamei a TV. E isso foi notícia em mais de 200 blogs e sites. Uma ação que investimos uns 25 euros deu retorno de milhões!

H - Com sua vasta experiência em grandes festivais do exterior, o que você pode destacar de positivo sobre o formato do Festival Path? O que você projeta para o futuro do evento?

AR - Já tive a sorte e oportunidade de estar em muitos festivais (visitando e participando) que abordam o tema da criatividade e inovação. A maioria deles associados a premiações e entregas de prêmios. Fui Júri nos principais festivais de criatividade pelo mundo todo (CANNES LIONS, D&AD, EL OJO, CAPLES, entre outros) e participei de alguns Hackathons, programas de aceleração de startups, Burning Man e SXSW que acaba sendo o modelo mais parecido com o Festival Path.

O que mais gosto do Path é o conceito de FOMO (Fear Of Missing Out) onde você tem tanto, mas tanto conteúdo, que é impossível você ter acesso a tudo. E fica sempre um gostinho de ir ano que vem e não parar por aí. Gosto também da interação com outras áreas, como a música, feira de startups… Pensando assim, o Festival está mais perto de englobar tudo que se discute hoje em dia de economia criativa. Hoje já é uma referência para criatividade e espero que para o futuro o Festival não tenha apenas três dias e sim sessões menores e dias que vão acontecendo durante o ano todo. Eu projeto isso para o futuro.

H - Pode nos explicar com mais detalhes como é a sua palestra? Dizemos no que diz respeito ao conteúdo e formato. Inclusive, qual é essa história que rendeu mais de 100 prêmios internacionais?

AR - Acaba sendo um pouco a história da minha vida, com um toque de standup comedy. Mostro para as pessoas que com um pouco de vontade e muita idiotice você consegue chegar onde quer, fugindo dos clichês do sucesso ou do mercado que as faculdades ou empresas te ensinam. O resumo é simples: se eu consegui, qualquer um consegue. Sobre os prêmios, não foi apenas um case responsável por isso e sim a história da minha vida onde estes prêmios foram dados ao longo do percurso incluindo vários projetos. Mas se formos analisar todos os projetos, o mais premiado até agora foi o Museu de Arte Urbana nas ruas de Lisboa. Deixamos a cidade muito mais bonita, utilizamos espaços de lixo na cidade para fazer intervenções e com isso criamos guias culturais para as pessoas aprenderem mais sobre street art e conhecer a cidade de uma forma diferente. Isso fez com que a cidade entrasse nas 10 mais interessantes para se visitar em relação à street art no mundo.

H - De que modo você busca estimular que os espectadores da sua palestra possam, de fato, tirar seus projetos da gaveta? Você já precisou recorrer a um “empurrãozinho” de alguém de fora para concretizar um projeto?

AR - Eu brinco com isso na própria palestra, desde a maneira que eu arrumei meu primeiro emprego até o primeiro cliente. Eu não tinha networking nenhum, meus pais me ajudaram com todo apoio psicológico e apoiavam minhas loucuras (minha mãe nem tanto), mas nunca apoio financeiro. Que na verdade não interessa nada! Um apoio emocional é tudo o que precisam. Às vezes o “não” apoio também ajuda. Para mim funciona melhor. Se muita gente diz não, me cresce o ego e força na ideia para querer provar que aquilo vale.

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