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O administrador que se tornou o melhor sommelier de cervejas do Brasil

O administrador que se tornou o melhor sommelier de cervejas do Brasil

Desde 2014, nosso país tem o Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cerveja, uma competição que busca eleger o melhor profissional do país.

O sommelier de cerveja é um especialista na bebida, que atua tradicionalmente no serviço, em bares e restaurantes, recomendando os rótulos mais adequados para cada cliente, fazendo cartas, controlando compras, estoque e todas as funções necessárias que envolvem a bebida. No entanto, hoje, a profissão no Brasil é muito mais vasta, tendo profissionais que atuam também em outros pontos da cadeia, como cervejarias, importadoras e distribuidoras, em várias funções que necessitam desse conhecimento especializado. E isso torna tudo ainda mais complexo.

E quem é o melhor do Brasil? Esse ano, na quarta edição do concurso, o gaúcho Edu Pelizzon foi o vencedor. Profissional dedicado e estudioso, é administrador especializado em marketing e atua pontualmente na área. Ele e os outros nove melhores colocados serão os representantes do Brasil na competição mundial de sommeliers de cerveja, que acontece em setembro na Alemanha.

No nosso bate-papo, Edu conta como foi participar da competição brasileira, como estão as preparações para o mundial e o que esperar do futuro da profissão por aqui.

Qual foi a sensação de ter vencido o Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas? Como é ser considerado o melhor do Brasil?

Acho que não consigo expressar em apenas um sentimento o que isso significa, pois são muitas coisas que passam na cabeça. Mas certamente fiquei orgulhoso, anestesiado e aliviado ao mesmo temo. Sempre foi um objetivo pra mim, desde que o campeonato começou a acontecer. Sabia que estava preparado, mas também sabia que, mais do que nunca, o nível dos outros competidores havia aumentado. Fico meio acanhado quando ouço que sou o melhor do Brasil. Acho que o campeonato é um momento e, por por alguns detalhes, tive o melhor desempenho naquele dia. Tenho ainda muito aprender. Mas sem dúvida é um marco na minha vida, respeito o título e fico muito feliz de viver esse momento.

Como funciona a competição e como você se preparou para ela?

A competição tem 3 fases. A primeira é a classificatória, na qual os participantes passam por uma prova teórica sobre o mundo das cervejas. A segunda fase é a semifinal, em que os 45 classificados fazem duas provas: a primeira é de identificação de estilos e a segunda de identificação de off-flavours, tudo às cegas, contando apenas com nossa habilidade de análise sensorial. A terceira e última fase é a final, onde os cinco melhores das fases anteriores passam por dois testes ao vivo com uma platéia de convidados e duas bancas de jurados. A primeira banca é a técnica, em que cada sommelier analisa uma taça com uma cerveja, faz sua descrição e identifica o estilo ao qual a amostra pertence. Depois, disso são feitas 3 perguntas técnicas pelo jurados. Então, inicia-se a prova de serviço, na qual existe a simulação real, com clientes, de um atendimento em um bar ou restaurante, que só é divulgado para os competidores 20 minutos antes da avaliação.

Para a preparação, não tem outro jeito: além de ler muito, é necessário estudar a parte prática, ou seja, degustar com responsabilidade e foco. Minha esposa me ajudou muito com testes cegos. Acho que é o melhor modo de estudar: praticando.

Como você começou a gostar de cervejas? E como acabou direcionando seus esforços para essa bebida?

Eu sempre gostei de cerveja, mas realmente me apaixonei por elas após ter morado na Irlanda de 2008 a 2011. Lá, o acesso era maior e consegui provar muita coisa, mas sempre com o ar de curioso, nada profissional. Quando voltei para o Brasil, já havia um mercado de cervejas artesanais. Confesso que tomei muitas cervejas de qualidade duvidosa, mas isso faz parte da curva de aprendizado de um mercado, certo?

Também percebi que era um hobby legal fazer cerveja em casa e comecei a produzir as minhas. Daí para o sommelier foi apenas um passo. Descobri o Instituto da Cerveja e tudo ficou mais fácil. Só tem gente boa nesse mercado, tenho vários amigos e muitas histórias.

Que espaço a cerveja ocupa hoje na sua vida?

É parcial. Trabalho muito com projetos, palestras e degustações, mas são pontuais. Agora, após o título, fui convidado pelo ICB para fazer parte do time de professores e coordenar as turmas aqui no Sul. E isso é bem gratificante.

O sommelier é principalmente um profissional de serviço. Como você vê a qualidade dos serviços das cervejas no Brasil?

Temos muito a evoluir. Simpatia, que nós, brasileiros, temos de sobra, não garante qualidade de serviço. Quando falamos do mercado cervejeiro, estamos engatinhando, pois a maioria dos times de serviço que temos nos restaurantes e bares não está preparada para um bom atendimento para o público, seja ele entendido de cervejas especiais ou uma pessoa que está começando a beber.

O Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas também valeu esse ano como uma classificatória para o Beer Sommelier World Championship. Você e mais nove brasileiros vão representar o Brasil na Alemanha ainda esse ano. Como está a expectativa? Como você está se preparando?

Exato, o mundial é dia 10 de setembro em Munique. A expectativa é representar bem o Brasil e conquistar uma vaga na final. Já participei do mundial no Brasil em 2015 e percebi que ele tem uma dinâmica diferente do nacional, sem contar que lá estarão os melhores do mundo, com uma tradição fortíssima com cerveja. Mas isso me motiva, gosto do desafio. Estou estudando bastante a parte de produção de cervejas, que tem um peso grande no mundial, e fazendo degustações dos mais variados tipos.

Todo esse treinamento demanda investimento. Então, para ajudar, juntei uma série de apoiadores que vão me ajudar a produzir um lote de uma cerveja comemorativa de arrecadação de fundos para a viagem e para os estudos. Será uma maneira justa das pessoas ajudarem. Estou bastante contente com as empresas e pessoas que entraram para o projeto.

Você costuma consumir Heineken®?

Sim, a Heineken® tem uma carga de sabor mais elevada do que outras do mercado. Costumo optar por ela quando quero algo leve e refrescante.

Quais são seus planos para o futuro?

Ajudar o mercado cervejeiro dentro da minha capacidade, principalmente preparar mais consumidores de cervejas especiais, ajudar para que cervejeiros produzam melhores produtos e que os bares prestem o melhor atendimento possível. Levantar a taça de campeão mundial seria algo muito bacana para mim e principalmente para o Brasil. O desafio é longo, mas é preciso acreditar.

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