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O melhor Sommelier de Cerveja do Brasil

O melhor Sommelier de Cerveja do Brasil

Apesar do Brasil ser um dos maiores produtores de cerveja do mundo, a profissão de sommelier de cerveja ainda é pouco conhecida no país. Com o crescimento do mercado cervejeiro, ela vem se desenvolvendo e crescendo entre vários setores. O Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cerveja é reflexo desse crescimento. Em sua terceira edição no país, organizado pelo Instituto da Cerveja Brasil, teve como grande vencedor Rodrigo Sawanara.

Depois de competir com dezenas de sommeliers, Rodrigo Sawanara que já atingira o 4º lugar no Campeonado Mundial de Sommelier de Cerveja em 2015, foi eleito pela bancada de jurados o melhor profissional do Brasil em 2016. Logo após a vitória, o mais novo Melhor Sommelier de Cerveja do Brasil conversou com a HEINEKEN e contou para nós mais detalhes sobre essa incrível experiência.

HEINEKEN Brasil: Qual é a sensação de ser o campeão?

Rodrigo Sawamura: É uma mistura de sentimentos! O principal é de muita felicidade, sem dúvida nenhuma! Todos nós que participamos da prova sabemos o quão difícil é chegar na final. Ser campeão então, muito mais! O nível de conhecimento e experiência dos participantes é extremamente elevado. Ou seja, são os pequenos detalhes que decidem quem será o vencedor.

O outro sentimento é de satisfação! Há dois anos decidi não continuar mais no mundo corporativo. Sempre trabalhei em companhias reconhecidas pelo mercado como excelentes empresas. Mas, acabava que eu trabalhava por trabalhar. Enfim, estava cansado disso tudo e apostei todas as minhas fichas naquilo que me trazia muita alegria e satisfação, naquilo que fazia sentido. Decidi que iria me dedicar a esse universo fantástico da cerveja e da gastronomia! E agora com esse resultado maravilhoso, tenho certeza que a aposta foi assertiva e que estou no caminho certo. Fazer aquilo que você realmente ama naturalmente te faz crescer a cada dia.

H: Como foi a sua preparação para chegar ao primeiro lugar?

RS: Ela começou há pelo menos um ano e meio quando decidi que iria aprofundar meus conhecimentos estudando ainda mais. Nesse tempo fiz o curso de Mestre em Estilos pelo Instituto da Cerveja Brasil, fiz mais um curso de formação de Sommelier de Cerveja (me formei também pela Academia Barbante/Doemens) e, por fim, estudei Tecnologia Cervejeira novamente pelo ICB.

É claro que para os campeonatos, especificamente, fazia uma preparação especial baseada em muito estudo. A revisão de toda parte teórica, além, é claro, do treinamento prático como degustações a cegas, degustações guiadas, treinamento para off flavors e etc.

H: Dentre as etapas do Campeonato de Sommelier de Cerveja qual foi a mais fácil, a mais difícil e por quê?

RS: Não diria mais fácil, mas acho que depois de três campeonatos e toda a experiência adquirida nos diversos cursos que eu fiz, talvez a menos difícil tenha sido a Prova Teórica. A prova final é sempre a mais difícil. É muita pressão! Não é nada fácil ser avaliado em público e tenho pouca habilidade para o palco.

H: Você ficou em quarto lugar no Campeonato Mundial de Sommeliers (disputado em São Paulo em 2015). Essa experiência em uma competição de nível tão elevado, quanto influenciou na sua conquista do Campeonato Brasileiro? É possível fazer uma relação entre os dois Campeonatos?

RS: O Campeonato Mundial foi uma experiência e tanto! Depois do fiasco da minha apresentação (estava muito nervoso e quase não consegui abrir as garrafas), percebi que teria que evoluir muito nessa questão da exposição em público. Foi então que comecei a praticar mais no dia-a-dia do Balcão 304 essa interlocução com os clientes. Comecei também a dar aulas (isso ajudou muito) e treinei apresentações em casa. Acho os dois campeonatos extremamente difíceis e de maneira geral são parecidos. Mas o fato de se conhecer o rótulo e ter que fazer uma apresentação em cima do que já é conhecido, te obriga a realizar uma apresentação impecável! Além disso, como as etapas do mundial acontecem em um mesmo dia, obriga o competidor a ter um controle emocional ainda maior. Por isso achei o Mundial mais difícil.

H: Como você espera que será a sua carreira daqui para frente com o referendo de que você é um dos maiores nomes do mercado cervejeiro do país?

RS: Fundamentalmente espero poder contribuir de uma forma ainda mais ativa para o amadurecimento e desenvolvimento do mercado cervejeiro nacional. Para isso, muito em breve devo apresentar uma nova marca para que eu possa definitivamente atuar de forma consistente no mercado. Estou iniciando um projeto de representação junto com uma importadora de insumos cervejeiros e, em parceria com o Alex Morais e o Guto Procópio, devemos promover uma série de eventos cervejeiros ainda neste semestre. Além disso, gostaria de atuar mais como julgador de cervejas em campeonatos e, quem sabe, um dia poder ser juiz do World Beer Cup.

H: Como você enxerga que está hoje a atuação dos sommeliers de cervejas no país e o que podemos esperar para os próximos anos?

RS: Acho que estamos apenas no início da nossa jornada. Creio que o mercado começou a perceber a importância do sommelier de cerveja não faz muito tempo. É bastante nítido o movimento de bares, restaurantes, grandes redes de supermercado, importadoras e cervejarias com relação ao reconhecimento do sommelier de cerveja. Porém, esse movimento ainda é tímido se compararmos ao que acontece lá fora ou mesmo quando nos comparamos aos sommeliers de vinho, por exemplo.

O importante é que o movimento está em curso e essa valorização dos sommeliers de cerveja é fundamental para o amadurecimento e crescimento do nosso mercado. Para nos tornarmos uma escola cervejeira, não vejo outra opção que não seja através da capacitação dos profissionais.

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