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Viajante Cervejeiro: ele largou tudo para andar pelo país em busca de cervejas

Viajante Cervejeiro: ele largou tudo para andar pelo país em busca de cervejas

Com a mochila nas costas e sem endereço fixo, Edson Carvalho Jr, mais conhecido como Viajante Cervejeiro, percorreu todos os estados brasileiros de carona em busca da cerveja. Colocou em prática o sonho de muitos de largar tudo e viajar para conhecer diferentes sabores, culturas e lugares. Hoje, ele deixa a estrada de lado para escrever o livro sobre essa viagem cheia de aventuras para contar. E também conta para a HEINEKEN como foi viabilizar tudo isso, as dificuldades, as alegrias e a vida dedicada à cerveja.

Como começou a sua história com a cerveja?
Começou em 2007, quando fui morar em Barcelona para trabalhar e estudar. Até então, eu era daqueles que tomava a mais barata ou a mais gelada. Mas, morando na Europa, o acesso a outras cervejas foi algo natural e lá conheci um local chamado La Cerveteca. Foi nessa loja, que existe até hoje, que meu horizonte se ampliou.

Com as belas explicações dos proprietários sobre as cervejas que vendiam, fui pego de surpresa por um novo universo e me interessei por isso. Curiosamente, a primeira cerveja que provei (e gostei) foi a Schlenkerla Aecht Marzen Rauchbier, uma cerveja de malte defumado, que normalmente não agrada a todos, principalmente iniciantes, como era o meu caso. Eles me prepararam antes de eu provar, me explicando tudo sobre a cerveja, sua história, o que eu deveria esperar de sabores e aromas. Pediram para eu abrir a cabeça, esquecer do que sabia sobre cervejas e tomar o primeiro gole. Foi o que eu fiz. Depois daí, não parei mais de buscar e querer provar novos estilos de cervejas.

Quando foi que você começou a misturar a paixão por cerveja com a profissão?
Voltei para o Brasil em 2008 e queria trabalhar com cervejas, mas não sabia como. Foi quando conheci o Daniel Wolf. Ele me disse que estavam por abrir uma loja. Comecei a trabalhar para eles e foi onde, de fato, comecei a consolidar o aprendizado sobre cervejas. Depois fiz o curso de Sommelier de Cervejas, aprendi a fazer cerveja em casa e me entreguei para esse mundo da cevada que até agora só me trouxe alegrias.

O projeto Viajante Cervejeiro sempre foi um sonho? Como foi transformar isso em realidade?
Quem nunca sonhou em sair pelo mundo vivendo das viagens e experiências? Eu sempre sonhei e continuo sonhando. Depois de uma segunda temporada fora do Brasil (2011 e 2012), decidi que quando voltasse para o país continuaria trabalhando com cervejas de um jeito diferente. Só não sabia como ainda. Fui morar em Florianópolis e voltei a trabalhar para o Daniel.

Mas, com o tempo, o instinto viajante voltou com tudo e meu desejo de voltar para estrada veio mais forte. Decidi que dessa vez queria viajar pelo Brasil. Foi quando criei o projeto Viajante Cervejeiro. A ideia era viajar dando dicas de onde encontrar cervejas artesanais pelo país, passando por todos os estados. E, no dia 01 de maio de 2014, comecei minha saga pelo país.

Para transformar em realidade bastou um pouco de coragem e acreditar que eu poderia fazer se tivesse um planejamento e baixo custo, principalmente no início. Como eu não tive nenhum apoio de empresas ou cervejarias, tive que me virar. Primeiro decidi baixar os custos da viagem. Saí da casa que morava de aluguel e fiquei sem endereço fixo. Assim economizei com contas fixas como aluguel, luz, água, etc. Ficamos apenas eu e minha mochila. Virei um sem teto.

Depois decidi que não ficaria em hotéis, mas sim na casa das pessoas que fosse conhecendo no caminho. Muita gente gosta de receber viajantes por curtos períodos de tempo. E assim foi feito. Um último gasto alto da viagem era o transporte; foi quando decidi que viajaria pelo país pedindo carona na estrada, deixando tudo ainda mais emocionante. E bota emocionante nisso. Os gastos que tive na viagem com comida, cervejas e emergências, eu supria com cursos e palestras que programava nos bares por onde eu passava.

Qual foi o melhor momento da sua vida na estrada?
Foram vários. Mas três deles marcaram. O primeiro dia da viagem, quando decidi transformar um sonho em realidade. Depois, foi quando completei um ano na estrada, com reconhecimento de várias pessoas importantes do meio. Comecei a fazer a minha marca ficar conhecida e muitos me convidavam para suas casas e bares. O Viajante Cervejeiro se tornou um personagem que todos queriam conhecer. E depois foi quando terminei a viagem. Algo que no início eu nem sabia direito no que ia dar, mas que, com muito esforço, suor e persistência, consegui concluir. Hoje, posso dizer que sou o único cara que rodou por todos os estados do Brasil, de carona, por meio de cerveja artesanal.

E os piores?
Foram dois os piores momentos. O primeiro perrengue na estrada, sem conseguir carona, no interior do Rio Grande do Sul, com um certo medo, com frio e praticamente sem esperanças. Foram 8 horas tentando na estrada, até que por fim consegui. E, depois, foi uma carona que peguei de Manaus a Porto Velho pela BR-319. Foram três dias de viagem cruzando parte da floresta Amazônica, com muita lama, atolamentos, sem banho, com quase nada para comer, dormindo na caçamba do caminhão com medo de à noite aparecer algum bicho, onça ou ladrões. Eu achava que não chegaria, era época de chuva na região e essa estrada não era recomendada, mas arrisquei mesmo assim. Hoje, virou história para contar, mas na hora era só desespero.

Qual foi o lugar mais inusitado que você bebeu uma cerveja?
Foi muito legal tomar cerveja junto dos jacarés no Pantanal Sul Mato-grossense, como também no Acre, um estado que sempre quis conhecer. Mas também durante as viagens de barco pelo norte do país, que, por vezes, duraram 6 dias dormindo em redes e presenciando aquela exuberância toda. Foi demais.

A gente já viu que a Heineken® faz parte das suas escolhas cervejeiras. Ela também fez parte de alguma história durante a sua viagem?
A Heineken® está em praticamente todas histórias. Quando não encontrava as artesanais, ou até mesmo para tomar umas num clima mais descontraído, a Heineken® era sempre uma ótima opção. É incrível como a aceitação dela é geral pelos cervejeiros do Brasil todo. Pude tomar a Heineken® em todos os estados.

Depois que as viagens acabaram bateu aquela sensação de “E agora? O que eu faço”? Foi daí que surgiu a ideia do livro ou ela já existia antes?
A sensação de “e agora?” é inevitável. Antes de terminar, meu plano já era escrever o livro. Surgiu no meio da viagem, mas tomou mais corpo e força no final. Com o livro, espero conseguir levar os leitores e todos que me acompanharam para mais além do que viram nas redes sociais. Quero que o leitor se sinta viajando comigo e vivenciando as aventuras que vivi. Além disso, desejo finalizar um ciclo e conseguir mais exposição para meus projetos futuros de viagem, afinal, o Viajante Cervejeiro tem o mundo inteiro a conquistar.

Você conseguiu financiar o livro por financiamento coletivo. Qual foi a sensação quando bateu a meta?
Foi incrível. Porque, mesmo imaginando que conseguiria, não esperava que fosse tão rápido. E sempre temos aquele medo de não dar certo. Trabalhei intensamente, falando com muita gente, para que comprassem as cotas. E deu certo! A campanha teve duração de dois meses, mas com menos de um mês eu já tinha batido a meta. Obviamente, bebi para comemorar.

Quando sai o livro do Viajante Cervejeiro e o que podemos esperar ver por lá?
A previsão que coloquei no site do financiamento era para agosto, mas já vi que será impossível cumprir essa meta. O desafio de escrever um livro, por mais que eu tenha várias anotações, é bem maior do que eu imaginava. Mas diariamente estou escrevendo e pouco a pouco o livro vai tomando corpo. Tenho certeza de que muitos irão se divertir e se emocionar com as histórias que tenho para contar.

Planos para novas viagens, já tem?
Sim. Muitos planos, na verdade. A ideia é continuar explorando outros países em viagens mais pontuais. Talvez mais curtas e mais objetivas. Penso em começar pela América do Sul. Mas meus planos para as próximas viagens é ir mudando o jeito de viajar. Por exemplo, tenho pensado em comprar uma Kombi, adaptar para poder morar nela e cair na estrada novamente descobrindo mais lugares com boas cervejas. E, dessa vez, serei eu que darei carona para viajantes na estrada.

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